A FRETILIN apelou ontem a Xanana Gusmão e a Mari Alkatiri para que se mantenham em funções, mas o chefe de gabinete do PR, Agio Pereira, explicou que a resposta está na mensagem que o Presidente dirigiu ao país, e dois ministros pediram a demissão
Para
a FRETILIN, a solução da crise assenta fundamentalmente na não
demissão quer do primeiro-ministro quer do Presidente Xanana Gusmão,
assinalando que se trata de duas figuras históricas que podem
contribuir para a resolução da crise e que neste
estado de crise não se resolve o problema, tirando peças do jogo.
Acentuando que uma solução duradoura para a crise em Timor-Leste passa pelo envolvimento de instituições e mediadores internacionais credíveis, o CC da FRETILIN defende que essa solução deve ser construída com base no diálogo e no consenso nacional e solicita o apoio da Igreja Católica e outras confissões religiosas para a solução da crise, que incluiu também encontros com os partidos políticos e organizações da sociedade civil.
Ao mesmo tempo, o partido exige às entidades competentes que actuem de forma a garantir a detenção e o rápido julgamento dos cidadãos indiciados do cometimento de crimes durante o período de 28 de Abril a 25 de Junho e manifesta a intenção de acompanhar de perto as investigações sobre o descaminho e distribuição ilegal de armas e verificar acerca da alegada responsabilidade e envolvimento de quadros e militantes da FRETILIN.
A exigência do desarmamento de todos os grupos irregulares e das pessoas armadas e a abertura de processos-crime pela difamação de quem tem sido vítima, são outras decisões tomadas pelo Comité Central.
A Presidência da República, por intermédio do chefe de gabinete do chefe de Estado, Agio Pereira, já reagiu, dizendo que a resposta está na mensagem que o Presidente dirigiu ao país , em que Xanana exigiu a demissão do primeiro-ministro, sob pena de ele próprio se demitir.
Entretanto, dois ministros, José Ramos Horta (Negócios Estrangeiros e Cooperação e da Defesa) e Ovídeo Amaral (Transportes e das Comunicações), anunciaram a demissão, o que, na prática, deixa o Executivo inoperacional.
Entretanto o líder do maior partido da oposição timorense, o Partido Democrático (PD), Fernando Araújo, manifestou-se convicto de que Xanana irá respeitar os desejos do povo timorense, dissolvendo o Parlamento e demitindo o governo. Fernando Araújo, um dos sete de putados do PD no Parlamento
O PR já ouviu a reacção do povo e da Igreja que pediram para que não se demita. Penso que Xanana Gusmão é homem de palavra e respeitará o desejo do povo, afirmou, contactado.
Para hoje fala-se da possibilidade de duas manifestações de sinal contrário: uma de apoio a Xanana e outra de apoio a Alkatiri. Fontes da FRETILIN dizem, contudo que os seus militantes e apoiantes se encontram fora de Dili e que os soldados australianos impedem a sua entrada na capital, o que não pode ser coinfirmado.
Mantém-se assim em impasse a situação política em Timor.
Fernando Araújo referiu que as manifestações a favor de Xanana Gusmão e contra o primeiro-ministro, Mari Alkatiri, deverão continuar na segunda-feira, reiterando que a sociedade timorense quer a queda do governo.
SECRETÁRIO DE ESTADO PORTUGUÊS EM DILI. O secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros de Portugal, João Gomes Cravinho, chegou ontem a Díli para uma visita de trabalho em que vem oferecer apoio e solidariedade do governo português, disse fonte do seu gabinete à Lusa.
Ao longo dos quatro dias da estada em Díli, o governante português vai aferir o que se pode fazer no entendimento das instituições timorenses, no âmbito da situação que se vive em Timor- Leste.
A fonte salientou que João Gomes Cravinho não vai prestar quaisquer declarações acerca da crise política em Timor-Leste, pois o Governo português considera que esta é uma questão interna a ser resolvida pelo povo timorense.