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PJ DESCONFIOU DE TOI POR SER SOCIALMENTE INTOCÁVEL
Serial killer aterroriza centro do país
Três jovens de Santa Comba Dão estão referenciadas como vítimas, mas parece haver mais. A tese de se estar perante um assassino em série ganha consistência, e as autoridades tentam encontrar outras jovens desaparecidas no centro do país Toi, como é conhecido, levantou suspeitas à Polícia Judiciária precisamente por estar acima de qualquer suspeita. O alegado assassino em série tudo fez para ludibriar os investigadores da PJ de Coimbra. Meticuloso, com conhecimentos de investigação criminal, por ter sido cabo da GNR, António Costa ia comprando jornais, todos os dias, para avaliar a repercussão mediática acerca da ausência das jovens. Nada levantava dúvidas aos vizinhos e amigos - era sociável, estimado por todos, dirigente da Casa do Benfica, autarca... De cada vez que fazia desaparecer uma rapariga, desligava-lhe imediatamente o telemóvel. Consumava o crime, presumem os investigadores, sempre perto de casa, lançando-as às águas, ou no Atlântico ou na Aguieira. No caso de Isabel Cristina, cujo corpo apareceu nos rochedos da praia do Cabedelo (Figueira da Foz), a 1 de Junho do ano passado, o crime terá sido consumado já naquela cidade, uma vez que o suspeito tem lá casa. E gozava de uma impunidade total dado o seu estatuto. Não temeria qualquer operação stop de uma outra força policial pois ao identificar-se como militar dificilmente o iriam importunar, alude um investigador ao DN. António Costa passou à reserva no dia 1 de Abril de 2005. Um mês depois, Isabel Cristina desaparece, supostamente para fugir para França para perseguir o sonho de ser modelo. Apesar da ausência prolongada e sem dar notícias à família, esta nunca fez queixa às autoridades. Os investigadores não se conformam com esta versão e quando se sucedem mais casos, na mesma localidade santa-combadense, começam a desconfiar de António Costa. A tese de se estar perante um assassino em série, um psicopata, ganha consistência. Almeida Rodrigues, subdirector nacional adjunto da PJ, sem querer dar pormenores desta investigação, explica ao DN as características do psicopata. Age normalmente sozinho e possui capacidades cognitivas acima da média, agindo num quadro de arrefecimento emocional. E adianta Almeida Rodrigues: O indivíduo psicopata não apresenta culpa ou remorsos e quando protagoniza um crime entra num processo de queda que o orienta para futuros crimes com o mesmo padrão de comportamento, embora aperfeiçoando os métodos. A forma de ocultar estes comportamentos desviantes é auxiliada pelo facto de, normalmente, serem pessoas que no seu meio social são vistas como incapazes de cometer crimes. Isso mesmo contou o tio da Joana ao DN: Ele na passada quarta-feira perguntou ao pai da Joana se a filha já tinha aparecido. Para o senhor Vasco, que bateu as margens da barragem da Aguieira por suspeitar que Toi tenha atirado para lá duas das jovens desaparecidas, ele era muito simpático. Almeida Rodrigues, da PJ, conclui: Se não o apanhássemos, ele não parava de matar. CORPO DE JOVEM RETIRADO DA BARRAGEM. O corpo de uma das vítimas do alegado assassino em série de Santa Comba Dão foi encontrado e retirado pelos bombeiros, ao final da tarde de sábado, numa albufeira da barragem Aguieira, perto de Oliveira do Mondego (Penacova). Embora existam indícios de que se trata do cadáver da última das pelo menos três adolescentes alegadamente mortas pelo ex-militar da GNR, o director nacional adjunto da Polícia Judiciária (PJ), Pedro Carmo, sublinha serem necessários exames complementares para se confirmar que se trata do corpo de Joana, a estudante de 16 anos, desaparecida a 8 de Maio. O cadáver, que seguiu para o Instituto de Medicina Legal de Coimbra, foi resgatado em adiantado estado de degradação. As buscas, efectuadas por uma dezena de mergulhadores dos Voluntários de Penacova e dos Sapadores de Coimbra, com duas embarcações, concentraram-se, durante todo o dia, numa extensão relativamente pequena da albufeira (cerca de um quilómetro), no rio Mondego, nas imediações da foz da ribeira de Almaça, de acordo, aliás, com as indicações de que o próprio suspeito dos crimes terá dado à PJ sobre o local onde se desfizera das vítimas. E, numa operação coordenada com a EDP, que bombeou água desta para a albufeira da Aguieira, a montante, para baixar o nível da água na área em prospecção. Nove horas depois de terem iniciado os trabalhos, às 17.35, os bombeiros localizavam, não muito longe da margem e a alguma profundidade o corpo que, ao que tudo indica, será de Joana. Enquanto dois elementos da GNR delimitavam uma área, afastando os populares que ali se concentravam, comentando o sangue frio, brutalidade e crueldade do presumível homicida, os bombeiros retiravam o corpo da água - submerso com o auxílio de um bloco de cimento - tarefa que se prolongou por mais de meia hora. A descoberta de três corpos - o de Isabel Cristina, 16 anos, encontrado na foz do Mondego (Figueira da Foz), há um ano, o de uma mulher, na albufeira da Raiva, resgatado no passado dia 1, e este - não significa, no entanto, que tenham sido localizadas as presumíveis três vítimas do cabo da GNR na reserva. Falta, pois, confirmar que o corpo resgatado é, de facto, de Joana e, por outro lado, identificar o corpo encontrado, em 1 de Junho, sem cabeça e sem pernas e exigindo, por isso, exames de ADN. A PJ presume que se trate de uma quarta vítima. As buscas vão prosseguir pois a Judiciária continua a não afastar a possibilidade da existência de mais vítimas. © JTM/Diário de Notícias Santacombadenses revoltados acham que a morte é pouco
Foi assim durante todo o dia - enquanto decorreram as buscas foi um corrupio de gente junto à barragem. Não muito longe, em Cabecinha de Rei, Fernando Oliveira, pai de Joana tinha notícias de que tinha sido encontrado um cadáver na albufeira. Se ela está morta, tem que aparecer e quanto mais depressa melhor. Assim neste sofrimento é que não dá. Se ela está morta, a pena dela já ela cumpriu; agora vamos nós cumprir a nossa. Também junto à porta de Fernando Oliveira houve corrupio de gente, que o abraçava, que mostrava a sua solidariedade. O pai da jovem que queria ser educadora de infância não escondia a sua indignação, porque considera que a GNR local não fez tudo o que estava ao seu alcance para procurar a sua filha. A mesma GNR que, diz, anteontem, montou guarda à casa do suposto homicida. Com cães, que também usou para procurar Joana. Fernando Oliveira lembra ainda que a primeira pessoa que relacionou o dasaparecimento da sua filha com a morte foi precisamente António Costa. Quando lhe falou de um cadáver aparecido na barragem.
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