Para combater as apostas ilícitas relacionadas com o Mundial, a polícia de Macau, em colaboração com as suas congéneres de Hong Kong e da China Continental, tem vindo a lançar várias investigações. Ontem, foi detido o líder de um dos maiores bancos ilegais da zona da Ásia-Pacífico, que estava ligado a este tipo de jogo illegal

Foi ontem detido o líder daquele que é considerado um dos maiores bancos ilegais da zona da Ásia-Pacífico, numa acção conjunta das autoridades de Macau, Hong Kong e China Continental. A operação surgiu no âmbito de uma campanha contra as apostas ilegais relacionadas com o Mundial e, segundo as estimativas da polícia, deve afectar gravemente a acção de cerca de duas dezenas de banqueiros ilegais do Delta do Rio das Pérolas.
Segundo foi revelado, o banco usava telemóveis e computadores para aceitar as apostas dos outros países sobre os resultados dos jogos do Mundial da Alemanha. Apenas durante a fase de grupos da prova, já tinha obtido lucros de três milhões de patacas. No entanto, as autoridades acreditam que o valor possa ainda ser mais elevado.
Durante a operação, foram presos cinco homens e duas mulheres e apreendidos 100 milhões de patacas. Dos sete detidos, um era proveniente de Macau e outro de Hong Kong. Os restantes cinco eram especialistas em e-banking e provinham da China Continental.
APOSTAS ILEGAIS SOB INVESTIGAÇÃO. As autoridades de Macau estão bastante preocupadas com as apostas ilegais ligadas ao Mundial de Futebol. Desde que o campeonato começou, a polícia já levou a cabo, pelo menos, quatro rusgas, que culminaram em 22 detenções. Uma das operações mais recentes aconteceu durante a noite de sexta-feira, como noticiou o JTM na edição de ontem. As autoridades desmantelaram uma rede de apostas ilegais relativas aos jogos do Mundial dirigida por uma tríade de Hong Kong. Nove pessoas foram detidas em habitações localizadas na Taipa, onde a polícia apreendeu computadores e formulários nos quais estavam apostados cerca de 12 milhões de dólares (100 milhões de patacas).
Na véspera, as autoridades já tinha levado a cabo outra operação, desmantelando duas redes de apostas ilegais. Numa acção conjunta de Hong Kong, Macau e China Continental para atacar o jogo ilegal, a polícia apreendeu cerca de dez milhões de patacas e capturou seis homens. Os dois grupos desmantelados utilizavam a internet e os telemóveis para organizar o esquema de apostas ilegais.
Nos casos detectados, os principais apostadores eram cidadãos da China e de Hong Kong, aonde a maioria dos jogos de sorte e azar são proibidos, ao contrário do que acontece em Macau, que é considerada a capital asiática do jogo e tem os casinos como principal fonte de receita. Por isso, as autoridades de Macau e das cidades vizinhas de Hong Kong e Cantão, no Sul da China, aumentaram os esforços para combater o esperado aumento de apostas ilegais durante o Mundial de futebol.
Apesar de as apostas serem proibidas na China, o país tem uma Lotaria Desportiva Nacional similar ao Totobola, que é subvencionada pelo Estado e tem como objecto os jogos das várias ligas europeias de futebol. Milhões de chineses deslocam-se todos os anos a Macau para jogar nos casinos do território, onde investiram alguns dos magnatas do jogo de Las Vegas, Nevada.