Unidos por fortes laços de amizade, os Governos de Portugal e da RAEM podem encarar com expectativas e optimismo redobrados o futuro do relacionamento bilateral em diferentes áreas, entende a generalidade dos responsáveis dos sectores público e privado que acompanharam in loco a visita oficial de Edmund Ho a Lisboa. Ouvidos pelo JTM, membros das delegações oficial e empresarial da RAEM são praticamente unânimes em considerar que a deslocação do Chefe do Executivo traduziu-se num passo de extrema importância para o estreitamento de ligações seculares, desenvolvimento da vocação de Macau como elo de ligação entre a China, a União Europeia, Portugal e demais países lusófonos e, não menos importante, para que possam ser colhidos frutos concretos numa alargada esfera de cooperação que tem em Macau um ponto de referência com interesse acrescido
Há uma relação muito especial
O
balanço desta visita é claramente positivo. A deslocação
a Bruxelas foi muito bem conseguida e o mesmo sucedeu em Portugal, a começar
pelos contactos feitos na Câmara Municipal de Lisboa.Revi muitos amigos
e sinto que Portugal e Macau continuam a manter uma relação muito
especial, a que às vezes nem todos dão a devida atenção.
Acredito que esta visita do Chefe do Executivo irá contribuir ainda mais
para o reforço dos laços de amizade entre Portugal e Macau e para
o futuro desenvolvimento das relações de cooperação
bilateral.
Portugal vai ajudar a promover comércio China-Lusofonia
Foi
uma visita muito, muito importante. Com Portugal é sempre uma visita
de amizade e também para recordar as relações entre a China,
Macau e Portugal e dar-lhes novo alento.
Desta vez a visita superou estes objectivos. Foi bem preparada e desse modo pode dizer-se que esta deslocação a Portugal do Chefe do Executivo da RAEM foi benéfica para desenvolver o papel de Macau como plataforma de promoção das relações económicas e comerciais entre a China e os países de língua portuguesa, como Angola, Moçambique ou Brasil.
Penso que Portugal, que teve uma presença de 400 anos em Macau, irá conseguir ajudar a promover o comércio entre a China e os países lusófonos e isso vai ser muito importante para todos: China, Portugal e RAEM.
Visão adequada para reforçar excelentes relações
A
visita teve um programa muito cheio, com contactos intensíssimos, e o
Chefe do Executivo encontrou-se não só com as mais altas individualidades
do Estado português mas também com vários ministros, que
proporcionaram uma visão creio que muito adequada da situação
portuguesa e da forma de incrementar no futuro as já excelentes relações
políticas entre Portugal e Macau. Portanto, creio que foi efectivamente
um sucesso.
Tenho dito que os resultados do Forum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa já são mais concretos do que aquilo que as pessoas pensavam quando foi criado mas, no caso desta visita, penso que haverá ainda um aprofundamento maior não só das relações políticas mas também resultados concretos em termos económicos e comerciais. Durante esta visita, trocaram-se ideias sobre formas de intensificar essa cooperação num futuro muito próximo.
AMBROSE SO, CÔNSUL-HONORÁRIO DE PORTUGAL EM HONG KONG
Dados com substância e promissores
Esta
visita foi muito importante e reflecte as boas relações entre
Portugal e Macau. Por outro lado, reforçou o papel atribuído a
Macau como Forum permanente para a promoção das relações
comerciais entre a China e os países de língua portuguesa, que
têm aumentado de forma notável desde a criação do
Forum.
Outro feito digno de realce tem sido o alcançado pela rede de Macau, como a STDM, que aumentou os investimentos em Portugal em áreas como os transportes marítimos, imobiliário, entretenimento e energia. Penso que tudo isto representa um contexto muito bom e acredito que pode evoluir no rumo certo para impulsionar as relações entre Portugal, os países lusófonos e a China, utilizando Macau como plataforma.
Em Portugal, não houve apenas conversas vazias. Há dados com substância e promissores. Acredito que há um potencial muito forte e podemos materializar esta cooperação bilateral
LEONEL ALVES, MEMBRO DO CONSELHO EXECUTIVO
Existem interesses mais palpáveis
Foi
mais uma oportunidade para a demonstração da amizade e relacionamento
profundo que existe entre Portugal e Macau. Os contactos a nível político
permitem esta conclusão e, a partir daí, há plataforma
para novas formas de entendimento e ajuda à RAEM nas diversas vertentes,
inclusive na área jurídica. Isto tudo é possível
e alimenta grandes esperanças de um futuro melhor.
Da parte dos empresários consegui detectar que existe um melhor entendimento sobre Macau, sobretudo ao nível das possibilidades concretas. Outrora, falava-se muito em termos gerais mas agora parece que existem interesses mais concretos e palpáveis, para a concretização de projectos em benefício de ambas as partes.
CHUI SAI CHEONG, DEPUTADO À ASSEMBLEIA LEGISLATIVA
Novas ideias sobre o futuro
Penso
que esta visita foi muito importante para a China, Macau e Portugal. O nosso
Primeiro-Ministro [Wen Jiabao] visitou Portugal anteriormente e o Chefe do Executivo
fez o mesmo em 2000, mas acho que esta nova deslocação aconteceu
na altura certa, para dar continuidade à amizade e assegurar que Macau
seja uma plataforma entre Portugal, a China e os países de língua
portuguesa.
Em termos práticos, acho que a cooperação entre Portugal e Macau poderá ser incrementada por duas vias. Por um lado, devemos continuar a fortalecer os laços de amizade e, por outro, a desenvolver e analisar novas ideias sobre o futuro.
DAVID CHOW, DEPUTADO À ASSEMBLEIA LEGISLATIVA
Manter e desenvolver relações bilaterais
Os
contactos feitos em Portugal foram muito importantes, especialmente na área
económica.
Macau pode desempenhar um papel importante no futuro da China ou dos países lusófonos, seja no campo económico, cultural ou outros, pelo que é sempre positivo o envio de delegações a Portugal.
Todos nós temos confiança de que estes contactos entre Portugal e Macau irão produzir resultados concretos no futuro.
Esta visita foi uma iniciativa do Governo, que pretende desenvolver o papel de Macau como plataforma, mas o sector privado também deve apoiar essa estratégia.
Queremos contribuir para manter e desenvolver o relacionamento de Macau com Portugal. Julgo que esta é uma mensagem muito importante, e em conformidade com o princípio um país, dois sistemas .
JORGE RANGEL, PRESIDENTE DO INSTITUTO INTERNACIONAL
Vontade
de cumprir vocação histórica
Uma visita como esta é sempre positiva para Macau. Até achava que o Chefe do Executivo já devia ter vindo há mais tempo. É claro que não pode fazer muitas visitas como esta, mas com a vinda do Chefe do Executivo os contactos passam a ser ao mais alto nível e marcam uma presença de Macau em Portugal. E também lembra a Portugal que Macau existe e hoje tem vontade de cumprir a sua vocação histórica, que é manter uma ligação estreita com o grande mundo de língua portuguesa.
Creio que a visita decorreu muito bem e espero que seja mais um ponto de uma longa caminhada em que devemos estreitar cada vez mais laços entre Portugal e Macau.
Não podemos esperar coisas muito concretas de uma visita a este nível, porque tem um carácter muito protocolar. Representa uma vontade política de estreitar relações mas, depois, caberá a pessoas de outros níveis - mais funcionais e no terreno - tratar das coisas concretas. Julgo que a vinda do Chefe do Executivo facilita todo o diálogo que terá de ser desenvolvido para conseguir as tais coisas concretas.
Aliás, quando saíu de Macau, o Chefe do Executivo disse que não vinha para conseguir coisas muito concretas mas para renovar ligações e deixar uma palavra de confiança nas relações com Portugal e da grande vontade que Macau tem de continuar ligado a este grande mundo da língua portuguesa.
JORGE NETO VALENTE, PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DOS ADVOGADOS DE MACAU
Grande vontade de cooperar com Macau
Acho
que a visita foi muito bem sucedida, organizada e programada, e penso que esteve
tudo à altura daquilo que se pretendia, até porque foi encontrada
muita receptividade para os assuntos de Macau. Verdadeiramente, não há
problemas entre Macau e Portugal, mas há formas de cooperação
que são úteis sobretudo a Macau e, da parte das pessoas com quem
tenho falado, vê-se uma grande abertura e vontade de cooperar e dar toda
a ajuda que o Governo de Macau precisar.
A ideia de usar Macau como plataforma para a Lusofonia também é uma ideia muito boa e muito bem aceite em Portugal. Vê-se muita gente, inclusive estrangeiros, interessados em aproveitar Macau para plataforma de abertura aos países lusófonos e os empresários chineses que integraram a delegação da RAEM, bem como outros que estão em Portugal, compreenderam que essa ligação a Portugal pode ser útil para o mundo empresarial. Só tenho ouvido elogios e acho que a visita foi um sucesso em todos os aspectos.
Vi em todos os eventos muita gente que viveu e conhece Macau e que não está aqui apenas por saudosismo. São pessoas que apoiam Macau e gostariam de ver Macau continuar a desenvolver-se a este ritmo.
Creio que esta deslocação foi muito além de uma mera visita de cortesia e as pessoas têm interesse em concretizar planos e projectos. Fizeram-se muito bons relacionamentos.
Interesse por Macau é mais do que boa vontade
O
saldo da visita do Chefe do Executivo a Bruxelas e Portugal é francamente
positivo. Ao longo destes dias, vimos que as relações de Macau
com o reino da Bélgica, União Europeia e Portugal estão
num excelente plano e surgiram também algumas ideias, nomeadamente sobre
o incremento das relações comerciais entre Portugal e a China,
através de Macau. Penso que o clima geral tem sido de grande simpatia
e também de alguma admiração pelo sucesso do desenvolvimento
que Macau está a atravessar.
É evidente que estas visitas são em certa medida de cortesia, no sentido de que têm a ver com a vontade bilateral de aprofundar relações e de ambas as partes estarem a par do desenvolvimento das respectivas realidades mas, por outro lado, parece-me que há uma curiosidade e interesse acrescidos por Macau.
Existem também atitudes que já são mais activas, na perspectiva de que são um passo mais à frente no relacionamento entre esses países e Macau, sobretudo no campo comercial e económico. Consegue-se ver que esse interesse é mais do que uma manifestação de boa vontade ou simpatia e que existem interesses comuns e acções concretas que apontam para que algo irá acontecer no futuro como resultado disso mesmo.
Estamos a dar passos concretos
No
que respeita à vertente empresarial, esta visita foi positiva para o
reforço das relações entre Portugal e Macau. Houve progressos
na cooperação empresarial, mas também foi importante para
constituir parcerias tendo em vista a utilização da rede de contactos
que os empresários portugueses têm nos mercados da União
Europeia e dos países lusófonos, sem esquecer as parcerias direccionadas
para o mercado do Continente chinês.
Somos realistas, pragmáticos e estamos a dar passos concretos de cooperação, por exemplo, no sector financeiro e bancário, com a abertura do escritório de representação do Banco Seng Heng em Portugal e o BPI a abrir uma linha de crédito para investimento nos países de língua portuguesa, que poderá ser muito útil para o trabalho das empresas da China, especialmente em Angola. Analisámos também um projecto interessante que visa a criação de um centro de distribuição de produtos portugueses em Macau, fruto de uma parceria entre o ICEP e a Nam Kwong.
O Forum, a MIF e a criação de parcerias entre empresas de Macau, Portugal e China para trabalharem nos mercados lusófonos e do Continente são exemplos de passos importantes que têm sido dados para o reforço da cooperação bilateral. Tudo isto ganha ainda mais importância, porque os mercados internos de Macau e Portugal são pequenos e é necessário alargar a rede de cooperação.
MANUEL GERALDES, DELEGADO DO ICEP EM MACAU
Demonstração de grande empatia
O
balanço é extremamente positivo, como de resto seria de calcular,
com o empenhamento que verificámos em ambas partes. O Governo de Macau
trouxe uma grande delegação, quer a nível político
quer empresarial, numa demonstração da grande empatia que há
entre a RAEM e Portugal.
E, Macau está a demonstrar mais uma vez que, do ponto de vista económico e comercial, pode ser de facto uma plataforma para o estreitamento de relações com a China. De resto, uma das questões que foi debatida durante esta visita foi a do empenhamento de Macau e da China no desenvolvimento de um centro de distribuição de produtos portugueses, um projecto que deverá concretizado a curto prazo.
Ultimamente, e se calhar até por necessidade, Portugal está a olhar um bocado mais para o Oriente, designadamente para Macau e a China. Tem havido mais empresários a procurar alternativas de mercado em Macau e na China e penso que eventos como a visita do Chefe do Executivo, com uma grande delegação incluída, contribui de certeza e efectivamente para um desenvolvimento desse relacionamento.