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GOVERNADOR VAI A LISBOA. O prof. Pinto Machado seguirá no próximo dia 1 para Lisboa, já que deverá estar presente no próximo dia 3 na reunião do Conselho de Estado. A deslocação do Governador, aliás prevista também por razões familiares, justifica-se não tanto pela obrigatoriedade de comparecer a todas as reuniões do Conselho de Estado, mas sim por quase certamente a agenda da reunião incluir a questão de Macau.

Paralelamente Pinto Machado deverá também relatar ao Presidente da República as suas primeiras impressões sobre a situação em que encontrou Macau e acertar com este a forma de se evitar algumas pressões que, através de pessoas ligadas a Belém, se tem tentado exercer sobre a nova Administração, principalmente para a colocação de algumas pessoas.

TDM: UM PRESENTE MUITO ENVENENADO. Entre os “paus cheios de formigas” que a Administração Almeida e Costa deixou aos seus sucessores, avulta naturalmente a TDM, uma “graça” que custa dezenas de milhões de patacas e para qual nunca foi procurada, pelo menos em termos realistas, uma solução de futuro.

Consciente do problema que representa para qualquer Administração a posse e responsabilidade de empresas de comunicação social, a actual Administração estará certamente a ponderar as possibilidades de se desembaraçar do problema, aproveitando-lhe, porém, as virtualidades possíveis.

Das consultas que eventualmente terá feito a Lisboa para esclarecimentos de aspectos legais e mesmo constitucionais, terão saído algumas indiscrições, que levaram a que a ANOP noticiasse, que iria a concurso público a adjudicação de um canal de TV da TDM. Sendo certo que canais de TV a TDM só tem um e que os concursos públicos não saiem do nada, é fácil entender que a “notícia” não o é. Verdadeiro é sim o facto do Conselho de Governo estar a apreciar a problemática da TDM, analisando-lhe as diversas possibilidades, sempre na óptica do governo não querer ser o único detentor de uma estação de televisão.

O próximo comunicado sobre as decisões do Conselho de Governo deverá já dar indicações neste sentido, sendo no entanto fortemente improvável que se anunciem tomadas de decisões definitivas sobre a questão, até porque cada solução envolve sérios problemas técnicos e jurídicos que exigem ponderação e análise.

In “Jornal de Macau” e “Tribuna de Macau”  26.6.1986