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Tribuna
A geração dos prazeres
Suponho que parte da dureza que é governar este país vem precisamente daí. As classes médias portuguesas adquiriram nos últimos 30 anos um nível de vida que nunca tiveram no passado. A vida era dramática nos anos 70, instável nos anos 80 e, com a melhoria da economia, passou a ser confortável nos anos 90. Permitiu que o automóvel, a televisão, o electrodoméstico se democratizassem. Facilitou a obtenção de casa própria. Há toda uma geração entre os 40 e os 60 anos que sentiu na pele esse crescimento, que acredita ter feito todos os sacrifícios, que não quer perder nada do que conseguiu. Chegou a altura de essas pessoas quererem sossego, eleições e bem-estar. Não as censuro. Esta geração dos prazeres é individualista, céptica, conservadora e imensamente resistente ao discurso reformista dos políticos. A política não passa de uma actividade menor, até um pouco histérica. Os políticos são criaturas exóticas que ou visam os seus próprios interesses ou falam sem dúvida de mais. Não creio que isto mude com voluntarismo e retórica. Na verdade não muda. E nós, os que não pertencemos à geração dos prazeres, sabemos que só podemos ser diferentes dos nossos pais. Seremos? © JTM/Diário de Notícias HOME . E-MAIL . FICHA TÉCNICA . EDIÇÕES ANTERIORES . PUBLICIDADE . PRIMEIRA LOCAL . ESPECIAL . OPINIÃO . REGIONAL . PORTUGAL . JET-7 . ÚLTIMAS. CÂMBIOS. TEMPO Copyright (c) Jornal Tribuna de Macau, All rights reserved Design and maintainence by Directel Macau Ltd |
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