Do grupo, Portugal foi, de facto, a melhor selecção porque conseguiu vencer os três jogos, mas os angolanos têm de estar orgulhosos pela nossa participação disse o professor Oliveira Gonçalves, que conta pormenores da preparação da equipa, inclusivamente dos treinos aos avançados feitos por José Eduardo...o Presidente da República!
-Que
balanço é que faz da participação de Angola no Campeonato
do Mundo?
-É evidente que haverá quem diga que poderíamos ter feito melhor e eu devo concordar que sempre se pode fazer melhor. Eu tenho a certeza que passaram as melhores selecções e Portugal foi, de facto, a melhor, porque conseguiu vencer os três jogos. Os angolanos têm de estar orgulhosos pela nossa participação. Eu estou orgulhoso.
-Chegou a falar que os próprios angolanos esperavam que a sua selecção fosse goleada. Isso revela que sentimento?
-No estrangeiro acreditavam muito mais em nós, curiosamente, do que algumas pessoas ligadas à imprensa em Angola. Chegaram a falar de goleadas. Creio que demos uma chapada com luva de cetim e os meus detractores vão ter que esperar para me agredirem porque desta vez não conseguiram.
-Vão ter que continuar a encará-lo na selecção?
-Bom, tenho mais uns meses de contrato, acaba em Dezembro deste ano. Mas posso adiantar que tenho propostas de uma selecção do leste europeu e de uma selecção africana.
-Mas qual é a sua ambição?
-Se calhar, às vezes é bom apostarmos em projectos muito ambiciosos. O futebol exige determinadas condições e conhecimentos de trabalho e eu exijo-as porque o futebol as exige. É necessário que se tenha atenção às condições sociais dos jogadores, para que eles venham para o campo sem pensar no filho que não tem pão para comer. Felizmente isso melhorou porque há um entendimento muito grande com o Presidente da República, nós conseguimos envolvê-lo nesta tarefa. É um homem do futebol, que foi treinar muitas vezes com os nossos jogadores, motivou-os e trabalhou com eles. Houve um dia, inclusive, que deu o treino enquanto eu estive na Alemanha.
-Treinou a selecção?
-Sim, o Presidente da República treinou os avançados. Ele foi um grande jogador, tem conhecimentos e pediu-me aí 15 ou 20 minutos para trabalhar os jogadores. Aprenderam muitas coisas com ele. O Zé Kalanga foi um dos que aprendeu muito com ele, aprendeu alguns ensinamentos como homem. O governo está muito empenhado, o nosso ministro do Desporto está constantemente connosco.
-Os jogadores agora vão conseguir melhores contratos?
-Penso que sim, e isso é bom para nós, que tenham oportunidades em campeonatos muito mais competitivos. O Kalanga é um caso gritante: ou sai agora ou perde-se. Mas também tem que saber sair, tem que saber impor-se. Há aqui jogadores que podem conseguir bons contratos. Há muitos diamantes por lapidar em Angola.
-E Mantorras?
-O Mantorras fez o papel dele, jogou dois encontros, a mim não me decepcionou. Todos nós temos de ter consciência de que o Mantorras está limitado e que precisa do nosso apoio. Acredito que com mais oportunidades no seu clube, o Benfica, poderá dar muitas alegrias, aos angolanos e mesmo aos sócios benfiquistas.
-E a selecção portuguesa?
-Uma selecção que faz descansar vários titulares e mesmo assim ganha ao México por 2-1 é uma equipa a ter em conta. Acho que Portugal tem de se orgulhar pelo que a selecção já fez, porque é a segunda vez na história dos mundiais que consegue passar a primeira fase. E, na minha óptica, quem quiser ganhar à selecção portuguesa vai ter de correr muito.
-Gostava de treinar uma equipa portuguesa?
-Eu gostava de trabalhar com projectos exequíveis. Felizmente, fiz três cursos que me permitem treinar na Europa. Mas não vou sair de Angola apenas para ganhar duas ou três vezes aquilo que ganho. Mas havendo um bom salário e um bom projecto...
-Era o seleccionador mais mal pago do Mundial?
-Infelizmente, mas era suposto vir aqui trabalhar para sair valorizado e acho que consegui. Saio daqui valorizado.
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