Brasil e Austrália passam no Grupo F. O Brasil voltou a ter um Fenómeno e a Austrália chega aos oitavos do Mundial pela primeira vez na sua história

Os brasileiros podem agradecer o susto de Tamada. O golo do pequeno avançado, que colocou o Japão a vencer aos 34 minutos, despertou o Brasil para este Mundial. Tocado pela vergonha do escândalo, o Brasil apareceu - e apareceu então o génio de Ronaldinho Gaúcho, apareceram as pedaladas de Robinho, apareceram até os golos de Ronaldo, que depois das críticas pelo peso excessivo surgiu ontem nas capas dos jornais por ter igualado o torpedeiro alemão Gerd Muller (1970 e 1974) como melhor marcador da história dos Mundiais (14 golos). Marcou dois na reviravolta (4-1) sobre o Japão.
Ronaldo está a pesar mais de 90 quilos, avançavam os jornais. O problema é que o Brasil joga com duas bolas, a do jogo e Ronaldo, brincavam os adeptos brasileiros. Antes do jogo, todas as conversas andavam em volta da má forma de El Gordito. Quando Tamada entrou pela área brasileira, veloz como uma bala, e disparou para a baliza de Dida, o escândalo pairou sobre o escrete. Foi o toque de alarme que o Brasil precisava - Ronaldinho Gaúcho, que até aqui teve a sorte de Ronaldo ser um alvo bem mais fácil, teve um passe de génio para Cicinho; Ronaldo esqueceu o peso da barriga e saltou de cabeça para o golo.
O Brasil soltou-se, Ronaldinho e Ronaldo passaram a rir juntos com a bola, em tabelas, Robinho começou a pedalar sobre o esférico, o guarda-redes japonês ajudou, com um frango a remate de Juninho Pernambucano... E quando recebeu a bola de Juan, aos 81', e se virou de pronto para a baliza com um remate de primeira, Ronaldo voltou a ser fenómeno.
SALTO HISTÓRICO. Um golo matinal, um frango e a intervenção redentora de Harry Kewell, marcaram o encontro que, pela primeira vez, colocou a Austrália nos oitavos-de-final de um Mundial.
Apontado na sequência de um livre directo, logo aos 2 minutos, o golo de Srna baralhou completamente a lógica do encontro durante a primeira parte, obrigando Zlato Kranjcar e Guus Hiddink a reordenar as respectivas formações.
Como consequência, os três centrais australianos passaram a actuar em cima do meio-campo e os próprios avançados croatas realizaram trabalho defensivo, tentando bloquear o tsunami australiano que, no entanto, rebentava nos rochedos croatas à estrada da área.
Os comandados de Gus Hiddink insistiam sempre pela zona central, utilizando pouco o flanco direito e nada o esquerdo. Mesmo assim, a pressão acabaria por resultar numa grande penalidade provocada pela mão do defesa Stjepan Tomas e convertida por Moore.
Reacção normal da Croácia a subir, finalmente, no terreno, mas a revelar pouca eficácia face à velocidade australiana. O intervalo chegou numa toada equilibrada, mas a perspectivar uma segunda parte escaldante. Porém, um tremendo frango do guarda-redes australiano, Kalac, aos 56 minutos, a remate de Kovac, adiava o sonho da selecção da Oceânia.
Sobre brasas, a Austrália viu o árbitro negar-lhe nova grande penalidade, provocada pelo reincidente Tomas e apenas respirou quando, Harry Kewell entrou numa área preenchida e, à queima roupa, fuzilou Pletikosa com o golo da igualdade e... do apuramento.
Estava feita história!