“Tenho a certeza que vamos ganhar” diz Maniche

O internacional português Maniche garantiu ontem ter a “certeza absoluta” de que a equipa das “quinas” vai ultrapassar domingo a Holanda e atingir os quartos-de-final do Mundial

SÉRGIO D’ALMEIDA SOARES*

Na habitual conferência de imprensa da tarde de ontem em Marienfeld, Maniche reconheceu que a partida de Nuremberga será “complicada”, mas garantiu que Portugal vai ganhar.

“Tenho a certeza absoluta que vamos ultrapassar este grande adversário que é a Holanda. Já ultrapassamos a primeira fase e o treinador tem dito que quer ficar entre os oito primeiros. Temos equipa para ir mais longe”, revelou.

Ainda nos quadros do Dínamo de Moscovo, mas a procurar soluções para o futuro, Maniche desvalorizou as estatísticas favoráveis a Portugal nos encontros com os holandeses e recordou o jogo das meias-finais do Euro2004, em que os lusos bateram a “laranja mecânica” por 2-1.

“O grupo da Holanda é totalmente diferente, desde o treinador aos jogadores. É mais jovem e tem mais qualidade. O que espero é que o resultado seja o mesmo. Queremos jogar bem e ganhar. Isso é que é importante”, sublinhou.

Com 34 internacionalizações e cinco golos, Maniche reconheceu ser fundamental marcar cedo para tranquilizar a equipa e revelou sentir-se melhor com Costinha e Deco no meio-campo, pelo maior conhecimento que tem dos antigos companheiros no FC Porto campeão europeu.

O jogador explicou ainda que sempre esteve em forma, apesar das críticas quando à sua vertente física, e admitiu que a equipa que tiver “mais entreajuda, sorte e união” sairá vencedora do jogo de domingo em Nuremberga.

“Estamos à espera de um jogo equilibrado. A Holanda é sempre uma potência mundial. Está a passar por um período de experiências com jogadores jovens e que querem mostrar ao país e ao treinador que têm qualidade. Nós queremos ganhar e eles também. Espero aumentar ainda mais o número de vitórias que temos sobre eles (cinco em nove jogos)”, referiu.

Certo de que a equipa lusa está preparada física e psicologicamente para “espremer” a “laranja holandesa”, Maniche reconheceu que a onda de euforia vivida em Portugal não abala a concentração da “família Scolari” e explicou mesmo que a convicção de chegar aos quartos-de-final é muito elevada.

“Todos pensamos que podemos ir longe no Mundial. Sabemos que há selecção que são sempre as favoritas, mas temos uma grande união e qualidade dentro do grupo. Vamos passar a Holanda e convictos que podemos chegar muito longe no Mundial”, sublinhou.

O internacional português elogiou, por fim, o trabalho do seleccionador Luiz Felipe Scolari e desejou que a equipa das “quinas” contribua ainda mais para o avolumar do recorde pessoal do brasileiro, de 10 vitórias consecutivas em Campeonatos do Mundo.

“(Scolari) é um dos melhores do Mundo. É sempre um privilégio trabalhar com ele, pelos conhecimentos que transmite aos jogadores. Temos feito bons jogos desde o Europeu até agora e temos de o manter. Queremos tentar ajudar o mister a obter mais recordes”, concluiu Maniche.

Russo Valentin Ivanov apita Portugal-Holanda

A FIFA nomeou ontem o russo Valentin Ivanov para o jogo de domingo entre Portugal e Holanda, dos oitavos-de-final. Ivanov, que terá como auxiliares os compatriotas Nikolay Golubev e Evgueni Volnin, nunca arbitrou um jogo oficial da selecção das “quinas”, mas é praticamente um “velho conhecido” dos holandeses, pois será a quarta vez que orientará um desafio da “laranja mecânica”. A nomeação de Ivanov pode mesmo não ser um bom augúrio para Portugal, pois a Holanda tem um saldo francamente positivo nos três jogos apitados pelo internacional russo, que nunca testemunhou uma derrota dos holandeses. No Mundial94, nos Estados Unidos, Ivanov arbitrou o jogo que resultou num triunfo da Holanda sobre a Arábia Saudita por 2-1, seguindo-se, em 2002, a goleada da “laranja mecânica” sobre o Chipre, por 4-0, em jogo de apuramento para o Mundial2002. A última vez que Ivanov orientou um jogo da Holanda ocorreu durante o Euro2004, em Portugal, num embate frente à Alemanha, que terminou empatado a uma bola. No Mundial2006, este será o terceiro encontro arbitrado pelo russo, depois do França-Suíça (0-0), da primeira jornada do Grupo G, e do Alemanha-Equador (3-0), na última ronda do Grupo A.