
É
com muita honra que escrevo algumas linhas a cerca da partida
de futebol (desporto rei) do Campeonato do Mundo da FIFA/Alemanha 2006 entre
a selecção do México e Angola. Agradeço esta oportunidade
que me é dada por este tão respeitado Jornal Tribuna de Macau.
Confesso que passei uma madrugada em branco com elevados níveis de corrente de excitação até altas horas da manhã porque Angola, país de onde sou natural, com os seus Palancas Negras e o lema desportivo de para a frente é que é o caminho, conseguiram na posição de estreantes obter um excelente resultado e conquistar o mundo, equipados de vermelho e preto ao empatarem com os representantes do México (4º lugar no ranking da FIFA) a zero no seu segundo jogo deste Mundial.
Quando o Sr. Maidin Shamsul, árbitro da partida apitou no Estádio da taça do Mundo da FIFA, em Hanover, para o início da partida, 3H00 da madrugada em Macau, já eu estava com a minha carapinha pregada ao Canal 1 da TDM num estado nirvânico total para seja o que Deus quiser... assistir a uma excelente partida de futebol, vendo Angola comandada pelo prof. Oliveira Gonçalves, provar que não somos uma pequena selecção e temos muito direito em estarmos entre os melhores do Mundo do Futebol.
Dignificaremos através do desporto um país que acordou tarde para o mundo mas acordou e aos poucos vai enchendo de orgulho todos os angolanos, grande parte dos portugueses e outros irmãos da CPLP movimentando paixões por este mundo dentro. A exibição dos Palancas Negras tem tido mesmo o condão de entusiasmar adeptos estranhos às coisas do futebol como tenho verificado nestes últimos tempos em conversas de café com amigos da Comunidade Chinesa de Macau.
Os Palancas apresentaram-se neste jogo com a mesma disposição táctica do jogo anterior frente à poderosa Selecção de Portugal, jogo que tive o prazer de assistir na Casa de Portugal, devidamente trajado com as respectivas vestimentas da selecção das Quinas e dos Palancas Negras. Figueiredo nas suas funções de Maestro e o potente avançado ao serviço do Al Wakra (QAT), Fabrice Alcebiade Maieco Akwa a farejar o golo na baliza adversária, Angola já nos habituou, aos poucos, ir explorando o ataque com alguma timidez e toda a equipa bem estruturada, com muita personalidade, criando dentro das quatro linhas um jogo agradável de seguir, jogando a toda largura do terreno com mudanças de flanco muito boas e bem espertas.
É importante referir que Jamba não irá actuar no próximo jogo contra o Irão por lhe ter sido mostrado outro cartão amarelo neste seu segundo jogo.
Assistimos a uma primeira parte com uma representação muito condigna de ambas as selecções, tirando o facto de Delgado ter sido amarelado aos 12 minutos e o México ter ameaçado o golo logo no primeiro minuto de jogo, pouco mais merece ser realçado na minha óptica do jogo .
Na segunda metade da partida, aos 56 minutos, João Ricardo, considerado o homem do jogo e tornado herói em Angola, recebeu de imediato inúmeras propostas de casamento de Damas Angolanas, como relatava o canal Angola Online, evitou alguns ataques cardíacos em apoiantes da selecção Angolana inclusive o yours trully ao interceptar de forma fantástica uma tentativa do mexicano Guilhermo Franco inaugurar o placard ao tentar fazer-lhe um chapéu que daria um golaço para a equipa orientada por Ricardo La Volpe, treinador com muitas parecenças fisicas, e não só, com o lendário herói mexicano Emiliano Zapata (se me é permitido...).
De referir igualmente que o ponta de lança mexicano Omar Bravo esteve perto também de confirmar as suas credenciais de goleador mortífero ao tentar concluir em golo, uma oferta da defesa angolana.
Nesta mesma segunda parte do jogo viu-se também a entrada em campo de Mantorras, jogador bem conhecido, principalmente do publico português por razões óbvias, para a linha da frente na tentativa de formar uma dupla de avançados não de peso mas sim bastante temíveis com Akwa mas não deu frutos e pouco depois este foi substituído.
Depois de muitos anos como praticante de futebol a nível amador, espanto-me sempre com certas atitudes inesperadas e infantis de alguns profissionais catalogados de experientes como o caso de André que foi expulso ao ver o segundo amarelo e por conseguinte o cartão vermelho por uma desnecessária mão na bola. Que Mambo ...
O resto do jogo foi ver Angola reduzida a 10 elementos a jogar num enorme desespero, quase massacre, para que os três minutos de compensação passassem depressa e o Sr. de Singapura soasse o apito final. Contudo, tenho uma esperança muito grande em poder ver as três equipas de países de língua oficial portuguesa na segunda fase deste Mundial.
*Natural de Angola, residente em Macau